sábado, 1 de outubro de 2011

Mais que sempre, poesia.

Nobres amigos leitores do Curtindo Linguagens, em julho, na ocasião do lançamento da Coletânea Sangue Novo, ganhei o exemplar de Mais que sempre (7Letras, 2007), do poeta Luís Antonio Cajazeiras Ramos, logo em seguida comecei a leitura do livro, que me agradou muito. Desde julho também estou indeciso em eleger o (s) melhor (es) poema (s), ou o que mais me agradou, e ainda, o poema que eu deveria trazer para o blog através da seção REUNIÃO, onde agrupo textos que fazem parte de minhas leituras e preferências poéticas. Hoje, finalmente, relendo os versos de Luís Antonio Cajazeiras Ramos, resolvi trazer dois poemas que fazem parte do Mais que sempre, uma antologia com textos inéditos e outros recolhidos de livros publicados pelo autor. A escolha dos poemas foi difícil, muitos me agradaram, mas cheguei a decisão de colocar duas mostras da poesia de Cajazeiras, para que os nobre leitores e as belas Damas leitoras possam apreciar. Se gostarem procurem o livro, eu recomendo! Nessa antologia o autor nos diz, Mais que sempre, que a vida é poesia!
Vamos aos poemas, eles dizem muito mais do que eu.

(Clique para ampliar)

Alguma poesia na cinzas das horas
Eu faço versos como quem chora
um anjo torto, desses que vivem na sombra
Bandeira/Drummond

Eu faço versos como um anjo torto,
desses que vivem de mentir o certo:
faço sinistro o que dissera destro
e subo ao fundo do mais fundo poço.

Meu verso clama, clama mais, reclama
desinfeliz (que ser feliz não basta),
a agonizar uma rotina gasta,
até pender na lassidão mais plana.

Meu verso encanta os mortos, como o sonho
de ver no espelho seu olhar imerso
em si - meu verso opaco é como um bronco.

Ah tolo desencontro a que me presto!
Preso a laudas que afundam no abandono,
liberto-me ao encontro de outro verso.

(Com o poeta Luís Antonio Cajazeiras Ramos)
Quo vadis?
Carregado de mim ando no mundo
Gregório de Matos

Amigos não resolvem minha solidão.
Amores não resistem no meu coração.
Assuntos não revelam minha vastidão.
Nada na vida dá vazão à minha vida.

O leite derramado talha em desperdício.
O bicho aprisionado míngua em sacrifício.
O passo compassado marcha ao precipício.
Tudo na vida é restrição à minha vida.

Enquanto abato o tronco e moldo a cruz dos ombros,
o mato toma conta do jardim dos sonhos.
Tudo na vida dá razão à minha morte.

Não pode um grito ser ouvido no oco vácuo.
Não deve um morto ver sentido em fogo-fátuo.
Nada na morte é redenção à minha sorte.


(RAMOS, Luís Antonio Cajazeiras. Mais que sempre. Rio de Janeiro: 7Letras, 2007.)

Luís Antonio Cajazeiras Ramos.
Nasceu  (12/08/1956) e reside em Salvador. Publicou Tudo muito pouco (1983), mas se desfez de quase toda a edição, queimou numa manhã nublada de 1985 tudo o que escrevera e arrefeceu o ânimo até meados da década seguinte. Em nova estreia, lançou Fiat breu (1996), ao qual se seguiram Como se (1999), e Temporal temporal (2002), premiado pela Academia de Letras da Bahia. Sua poesia está incluída em antologias no Brasil, em Portugal e na França, bem como em diversos sítios eletrônicos de literatura, como Jornal de Poesia, editado por Soares Feitosa, Sonetário Brasileiro, de Glauco Mattoso, e Verbo 21, de Lima Trindade. Eventualmente, publica poemas, resenhas e outros artigos em revistas literárias e jornais.

6 comentários:

  1. Além de ser um grande poeta, Cajazeiras é a simpatia em pessoa. Adorei conhecê-lo. Bjs

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  2. Cajazeira, sem dúvida, é uma das minhas leituras favoritas.


    Abraço

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  3. Cajazeiras é um grande poeta...

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  4. Recebi esse livro maravilhoso,e li com um enorme prazer, Luís Antonio, é um poeta que sempre está
    em busca da poesia. Recebi esse livro no curso de poesia ministrado por Jorge Douglas Reis de Almeida e estou encantado com esse livro sempre releio quando bate a "solidão." (Valter Bitencourt Junior)

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  5. Luís Antonio é o poeta, é o poeta que vai em busca da poesia em tudo aquilo que faz e ver, um homem de vasto conhecimento e erudição...

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